O problema: resíduos orgânicos em aterros geram metano
Quando resíduos orgânicos — restos de alimentos, materiais vegetais, lodos — são enterrados em aterros sanitários, eles se decompõem em um ambiente com baixo ou nenhum oxigênio. Esse processo anaeróbico produz biogás, composto principalmente por metano (CH₄) e dióxido de carbono (CO₂).
O metano é um gás de alto impacto climático. Seu potencial de aquecimento em relação ao CO₂ depende do horizonte temporal e da metodologia adotada; por isso, inventários e comparações devem declarar o fator utilizado.
Por que não usamos um multiplicador único
O modelo WARM da EPA mostra que o resultado muda conforme o tipo de material, as distâncias de transporte, a captura de biogás no aterro e o uso final do composto. Por isso, qualquer redução em CO₂ equivalente deve vir acompanhada de cenário, fronteira e memória de cálculo. Consulte a documentação técnica do WARM para materiais orgânicos.
Por que a compostagem pode reduzir emissões?
A compostagem, especialmente a termofílica com aeração contínua, é um processo predominantemente aeróbico: a decomposição ocorre na presença de oxigênio. Nessas condições, o carbono orgânico é convertido principalmente em CO₂ — não em metano.
Em inventários, o CO₂ biogênico costuma ser reportado separadamente do CO₂ fóssil. Isso não torna a operação automaticamente “neutra”: transporte, energia, metano e óxido nitroso do processo também precisam entrar na fronteira de cálculo.
Carbono biogênico vs fóssil
O CO₂ biogênico faz parte do ciclo recente do carbono e recebe tratamento específico nos inventários. A comparação entre rotas deve incluir as demais emissões e declarar claramente material, transporte, operação, captura de biogás e destino do composto.
O papel da aeração contínua na redução de emissões
Em sistemas de compostagem mal conduzidos ou sem aeração adequada, podem se formar zonas anaeróbicas dentro das leiras — bolsões sem oxigênio onde o metano pode ser produzido localmente. A aeração, como utilizada na unidade de Pereiras/SP, ajuda a reduzir esse risco ao favorecer a distribuição de oxigênio no material.
O desempenho depende também de formulação, umidade, porosidade, temperatura e manutenção do sistema; por isso, monitoramento e registros operacionais são essenciais.

O que isso significa para sua empresa
Toneladas desviadas do aterro são uma métrica operacional direta. Já a conversão desse desvio em CO₂ equivalente exige uma memória de cálculo: tipo e composição do resíduo, distâncias, consumo de energia, cenário do aterro, captura de biogás e uso final do composto.
Com esses dados, a empresa pode estimar a diferença entre cenários e submetê-la à revisão técnica antes de usar o resultado em inventários de carbono ou relatórios ESG.
Aplicações para relatórios ESG e sustentabilidade
A destinação para compostagem gera métricas concretas e auditáveis para sua estratégia ambiental:
- Toneladas de resíduos orgânicos desviados de aterro (Escopo 3 da pegada de carbono)
- Estimativa de CO₂ equivalente, quando sustentada por metodologia e memória de cálculo
- Percentual de resíduos com destinação ambientalmente adequada (ODS 12)
- Redução de passivo ambiental e melhoria de indicadores de gestão de resíduos
Transforme redução de emissões em operação
Para aplicar esse conceito no fluxo da empresa, veja também:
Emissões anaeróbicas durante a compostagem: o que monitorar
Mesmo na compostagem aeróbica, há situações que podem gerar emissões indesejadas de gases. Os principais riscos ocorrem quando:
- A umidade do material está excessivamente alta, compactando a leira e reduzindo a permeabilidade ao oxigênio
- A relação C/N está desequilibrada, com excesso de nitrogênio gerando amônia (NH₃)
- A aeração falha ou é insuficiente para o volume de material em processo
- A fase de maturação não é conduzida adequadamente
Nossa equipe técnica monitora continuamente esses parâmetros para garantir que o processo se mantenha aeróbico e as emissões sejam minimizadas em todas as etapas.
Monitoramento técnico contínuo
Na nossa unidade, medimos diariamente temperatura, umidade, pH e teor de oxigênio nas leiras. Esse rigor técnico é o que garante a eficiência do processo e a qualidade do composto final — e o que nos permite fornecer dados confiáveis para os relatórios de sustentabilidade dos nossos clientes.
Compostagem como estratégia de descarbonização
A gestão responsável de resíduos orgânicos está se tornando um componente cada vez mais relevante das estratégias corporativas de descarbonização. Com as metas climáticas do Acordo de Paris e os compromissos de Net Zero assumidos por empresas e governos, a destinação de orgânicos não é mais apenas uma questão de compliance — é parte da agenda climática.
Empresas que adotam a compostagem como destinação padrão para seus resíduos orgânicos estão, ao mesmo tempo, cumprindo a legislação, reduzindo seu impacto climático mensurável e construindo uma narrativa de sustentabilidade genuína — não apenas declarativa.
Calcule o impacto climático dos seus resíduos
Nossa equipe pode ajudar sua empresa a estimar as emissões evitadas pela destinação correta dos resíduos orgânicos. Dado útil para relatórios ESG e inventários de carbono.
Avaliar emissões pelo WhatsAppPerguntas frequentes sobre compostagem, aterro e emissões
Por que aterro gera mais metano que compostagem?
No aterro, o resíduo orgânico se decompõe com pouco oxigênio, favorecendo produção de metano. Na compostagem aeróbica, a presença de oxigênio reduz esse risco.
Compostagem pode entrar em relatório ESG?
Sim. Toneladas desviadas de aterro, certificados de destinação e estimativas de emissões evitadas podem apoiar indicadores ambientais e inventários de carbono.
A aeração contínua reduz odor e emissões?
Sim. A aeração ajuda a manter o processo aeróbico, reduzindo formação de zonas anaeróbicas associadas a odor e metano.

